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“Isso é Clarice. Ah, esse é Drummond. Hummm, certeza que é Pessoa!”. Alguns autores mesmo antes de ver o nome já conhecemos a autoria pelo texto. Só de bater os olhos em suas construções conseguimos dizer de quem é. Como eles conseguiram ser tão marcantes usando palavras? Com a verdade.

Eles descobriram, reconheceram, desenvolveram, vivenciaram as suas verdades. A partir daí é simples, natural, espontâneo imprimir sua marca, seu estilo no texto. Não precisa forçar, não precisa pensar – apenas sentir. A obra personifica o autor de tal forma, que não costumamos dizer “Esse é da Clarice”, e sim “esse é a Clarice”, não costumamos dizer “estou gosto de ler a hora da estrela” e sim, “gosto de ler Clarice”. Todo mundo que escreve quer atingir este estágio, que transpassa qualquer pretensão (ser famoso, vender bem, ser lido). Não há nada melhor e libertador do que ser.

Essa é a recompensa de todos que trabalham com arte. Conseguimos reconhecer o artista pela sua obra. E na literatura não é diferente. Encontrar seu estilo é uma descoberta incrível. Claro que os autores que você mais ler irão influenciar, mas não vão definir. Suas experiências pessoais, sua personalidade, sua inteligência e conhecimento linguístico influenciam ainda mais.

É preciso estudos como qualquer arte. Imagine alguém que quer pintar quadros: ele sabe que existem as tintas, tem um olhar diferenciado sobre todos os aspectos visuais mas não sabe como usar diferentes tipos de pincéis, nunca aprendeu técnicas de traçados e preenchimentos, misturas de cores, não conhece todas as possibilidades de telas, papéis, tintas. Pode até ser que ele pinte um quadro, mas imagine quantas oportunidades ficaram para trás por falta de conhecimento, por não saber tudo o que poderia ser feito para transmitir suas ideias e percepções da melhor forma possível.

Conseguir imprimir sua marca depende também de muito conhecimento. E para você que adora escrever, um recado de Nikos Kazantzadis: “você tem o seu pincel, tem suas tintas, pinte o paraíso e depois entre nele” .

Boa viagem!

Juliana Maringoni