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Eu orientei centenas de autores das mais diversas idades a escreverem os seus primeiros livros. Todos tinham algo em comum: a vontade de desistir. A diferença entre os que concretizaram seus sonhos dos que os abandonaram no meio do caminho é aceitar essa vontade. Faz parte do processo querer parar, um desejo sempre acompanhado por várias “desculpas”:

– está ficando ruim
– estou perdendo tempo
– não levo jeito para isso
– sentirei vergonha de mostrar para os outros
– não estou preparado
– não vou ganhar dinheiro com isso
– não vou conseguir vender
– ninguém vai ler
– não quero expor minhas ideias e sentimentos

E muitos outros pensamentos negativos que podem tomar conta do autor iniciante. Então, quem continua apesar desses percalços é quem olha para eles, encara de frente o lobo mau e vê que ele não é tão assustador assim a ponto de ter que fugir. Fugir é a palavra mais certeira para isso.

Faz parte do processo criativo desistir do texto. É natural, comum ao ser humano para todas as questões que envolvem uma jornada “a recusa ao chamado” – como é nomeada essa fase na psicologia analítica, dentro da perspectiva da “jornada do herói”. Quando temos um objetivo final, seja ele qual for, passamos por essa jornada, esse caminho, que tem várias fases. E justo no início essa tal “recusa ao chamado” para colocar a gente baixo!

Vista sua capa, empunhe a sua caneta mágica e resista, até a tarde de autógrafos.
“Inimigos”, “aliados”, “mestres”, dentro e fora de você aparecerão durante essa aventura – e de alguma forma também para o seu personagem. Afinal, que graça teria se não fosse assim? Sem a emoção que dá à vida?

“É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante” – Friedrich Wilhelm Nietzsche

Boas inspirações e…coragem!

Juliana Maringoni – Editora Rosa Rosé