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Leis e programas de incentivo à leitura são diversos e conhecidos. Ainda não vi nenhum especificamente direcionado para a escrita.  Distribuir livros já prontos, vindos de grandes editoras e distribuidoras é fácil e rentável. Por outro lado, organizar uma produção literária é algo que chega a ser artesanal, demorado e com pouco impacto financeiro, visto que o material pode ser publicado gratuitamente pela internet por exemplo.

Porém o incentivo à escrita tem um diferencial muito latente: estimular a autoria. E ser autor é não ser passivo, não ser um mero receptor de estímulos externos, mas produtor de próprios e inéditos conteúdos. Ser autor é desenvolver o senso de autonomia, tomar uma história pelas próprias mãos, uma história que é sua, seja ela da realidade ou da ficção.

A nova geração está acostumada a ter tudo pronto, basta um clique, um telefonema, um passar de cartão de crédito e lá estão o trabalho de história, a carona do pai e a pizza pronta do supermercado. O estímulo à passividade ganha forças quando as pernas são poupadas do andar, a cabeça do pensar, as mãos do fazer.  Por outro lado, nossas crianças e jovens recebem superestímulos eletrônicos que vão além das suas capacidades cognitivas, ou seja, ocorre um bombardeio difícil de ser assimilado pelas cabecinhas que ficam ansiosas e com sérias dificuldades de aprendizagem e relacionamento.

Aí fica difícil mesmo ser autor, criar algo novo e seu, original, inspirador, alimentando o ciclo para que outros receptores-autores também criem as suas próprias histórias.

Boa escrita

Juliana Maringoni