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Como escolher livros que estimulam a imaginação da criança – parte 1 – ilustração

por | set 2, 2018 | Escrita Criativa Para Crianças

Livros sempre são bem-vindos, indepentende da qualidade gráfica e editorial é possível transformá-los em fontes de  criatividade. Tudo depende da interatividade que terá entre o mediador de leitura (pais, avós, professores, por exemplo), e o pequeno.

Porém, é claro que as obras bem elaboradas propiciam experiências ainda mais ricas.  Selecionei 3 obras como exemplos  de ilustração que possuem características  comuns aos livros que impulsionam grandes vôos na imaginação:

ANTES DE MAIS NADA: essas são dicas para quando o adulto vai escolher uma obra para presentear. Quando a criança irá escolher, JAMAIS cerceie sua preferência( a não ser que o conteúdo seja impróprio para a idade) pois pode tornar a leitura algo extramente chato para ela e com o tempo, desistimular esse hábito que na infância deve ser primordialmente encarado como puro prazer. Quantos adolescentes se afastam da leitura porquê detestam as obras obrigatórias escolares ou de vestibular porque simplesmente não representam o seu gosto literário?

Aviso dado, vamos às dicas!

Ziraldo e Chico Buarque, “Chapeuzinho Amarelo” (Autêntica)

 O que se pode observar ao abrir o livro e que faz toda a diferença para estimular a imaginação:

As ilustrações não repetem as informações do texto. Os desenhos de um livro infantil não devem ser tão óbvios e sim construir a narrativa de mãos dadas com a história.

Exemplo: depois que a Chapeuzinho encontra o Lobo e perde o medo do bicho, ele é caracterizado como um humano em suas vestimentas que espelham também seus sentimentos humanizados – “O lobo ficou chateado. “Pô!”

Brigitte Schär e Jacky Gleich  “Mamãe É Grande Como uma Torre”, (Cosac Naify)

 O que se pode observar ao abrir o livro e que faz toda a diferença para estimular a imaginação:

Leva em conta o olhar da criança. A ilustração transparece o jeito de pensar infantil e não tenta impor a linguagem adulta.

(https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/81NeVQ5wHmL.jpg)

Exemplo:  Uso do recurso poético para mostrar como uma criança lida com a separação dos pais. A menina enfrenta a questão, por meio da fantasia, associando o tamanho da mãe à grande falta que ela lhe faz. Aí tem os exageros (mãe maior que a tenda) e as misturas improváveis (jacaré no circo) recorrentes da imaginação infantil.

Clarice Lispector e Mariana Valente, “A mulher que matou os peixes” (Rocco)

O que se pode observar ao abrir o livro e que faz toda a diferença para estimular a imaginação:

Foge do óbvio. A ilustração possui composições que proporcionam à criança a liberdade e variedade de interpretação.

https://cultura.estadao.com.br/blogs/estante-de-letrinhas/wp-content/uploads/sites/106/2017/10/mulher2-768x768.jpg

Exemplo:  Elaborado com elementos surreais, lembra a obra de Salvador Dalí. As proporções variadas e a mistura de materais, sobreposições, mistura vários mundos em um só – os recortes sozinhos significam e dentro do contexto do todo ganham nova leitura. Assim não desmerecemos a capacidade de interpretação do pequeno leitor com desenhos simplistas.

Resumindo, observe sempre se as ilustrações do livro infantil têm pelo menos uma dessas características: não repetem as informações do texto, levam em conta o olhar da criança, fogem do óbvio. Com certeza será um grande sucesso com a criançada!

JULIANA MARINGONI

"Literatura sempre foi o meu mundo encantado, que eu queria tornar real."

Graduada em jornalismo na PUC Campinas, especialista em Jornalismo Literário e em Educação de Universidade Federal Fluminense, psicopedagoga e pedagoga com aprimoramento em Escrita Criativa pela Unicamp.

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