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A partir do momento que aprendemos a falar já somos capazes de inventar histórias. É nesta fase da vida que o mundo imaginário se abre infinito para nunca mais fechar.

Coisas que acontecem no dia-a-dia, objetos, pessoas, tudo o que se vê pode provocar saltos que levam para longe e além da razão: uma vassoura se transforma em um roqueiro de cabelos esvoaçantes, o funil da cozinha no chapéu de palhaço, um o cachorro da família em um alienígena. E as histórias são inventadas como gostosas brincadeiras.

E as inverdades dos livros também parecem reais. Crianças desta idade não sabem ainda separar o que é real e o que é de mentirinha, por isto é preciso cuidado principalmente até os 7 anos com o conteúdo em que expõe aos pequenos: sentimentos de abandono e medo subentendidos em muitas narrativas podem povoar de fantasmas as mentes em formação. Medo de perder a mãe, de que ela nunca mais volte, que as janelas se fechem e as cores se apaguem. E tudo isto traz angústia, de uma coisa que poderia ser saudável, promissora: a leitura dos livros e do mundo.

As histórias podem sair da tela da tv, do cinema, do computador, da boca do avô, da conversa do vendedor de picolé, do amiguinho da escola, do livro da capa rasgada. E também da boca da criança que viu e ouviu tudo isto. E ela é sim capaz de criar sua própria trama, com os personagens só seus, sem copiar-colar de ninguém. E até mesmo antes da alfabetização, apenas contando ou desenhando os fatos de um universo novo.

Ser capaz de inventar seu próprio mundo é algo que traz segurança, acolhimento, entender que há coisas que dependem de suas escolhas e de ações. E mesmo quando enfrenta seus inimigos, o herói sempre sabe aproveitar a experiência ruim para aprender algo de bom.

É confortante poder reelaborar uma história em que no fundo, somos os protagonistas.

Boa imaginação

Juliana Maringoni