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7 erros que podem bloquear a escrita do seu filho

por | jul 30, 2018 | Escrita Criativa Para Crianças

Pais e professores sempre buscam a forma correta de incentivar a escrita e a leitura, e se esforçam para isso. Mas alguns vícios e detalhes podem por tudo a perder quando o assunto é criatividade.

Selecionei sete dos mais corriqueiros erros que bloqueiam a criatividade na produção de texto dos pequenos:

1.Deixá-lo com medo de errar

Errado:

A caneta vermelha que corrige os textos poderia ser de outras cores.

Corrigir algo relacionado à criatividade e à imaginação deixando as letras “sangrando” é muito cruel para qualquer um, imagine uma criança.

Jamais devemos desmerecer sua construção de sentido.

Correto:

Fazer críticas de forma construtiva, com perguntas.

Por exemplo:

  • Por que esse personagem não tem nome?
  • Que nome poderíamos dar a ele?
  • Aqui está faltando um pedaço da história.
  • O que você imagina que pode acontecer aqui?

Erros relativos à ortografia e gramática destacados em cores mais leves, azul, lilás, rosa, verde claro.

Mesmo que ainda faltem muitos recursos no texto, é preciso sempre encorajá-lo com frases como:

  • Muito bem, você conseguiu escrever um texto inteirinho!
  • Vamos trabalhar nele para que fique ainda mais interessante e divertido?

2.Dizer que o Sol não usa óculos

Errado:

Boicotar a imaginação do pequeno sempre impondo os limites da razão e da realidade.

Me lembro de uma professora da primeira fase que fez um mega “x” em cima de um sol que desenhei usando óculos…de sol! Ainda com o lembrete: óculos não usa sol.

Mesmo que a criança pareça acreditar em algo inexistente, não tente corrigi-la explicando o correto. É como dizer que Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa são apenas jogadas de marketing para movimentar o lucro do comércio.

Um balde água fria que simplesmente mata a vida, a vibração e a força de tudo o que depois de adulto ela considerar imaginação –  e ter consciência disso.

Correto:

“No mundo da imaginação, tuuuudo pode acontecer!”.

É o que eu sempre digo quando meus alunos perguntam “pode isso, professora?”. Pode!

O legal e importante é entrar na brincadeira com eles e estimular ainda mais a fantasia: “Que interessante, eu nunca vi um sol com óculos! Qual o nome dele? Onde ele vive? O que ele gosta de fazer?”

3.Comparar com outros

Errado:

  • “Como eu queria que você escrevesse como o seu irmão! Ele é tão bom em redação!”
  • “Eu sempre escrevi tão bem, e você…”

Se  acha que esse tipo de colocação é um desafio que serve de incentivo, saiba que o efeito é o contrário. Afinal, como ser quem não é?

Correto:

Cada criança é única com suas habilidades, que precisam ser estimuladas e experimentadas para serem reconhecidas.

Não é porque ela não escreve bem uma dissertação que vai mandar mau num conto, poesia, haikai, letra de música, roteiro…são tantas possibilidades e gêneros, que se orientada corretamente ela pode encontrar seu dom para escrita em um deles.

Algumas pessoas simplesmente não tem aptidão para linguagens, o que não quer dizer que sejam menos que outra que possuem, elas com certeza são melhores em outras áreas.

Essa diversidade é que faz com que cada um siga uma área diferente para seguir seu caminho profissional no futuro.

4.Complicar

Errado:

A criança quer fazer bonito e acha que para isso precisa usar palavras difíceis que quando inseridas no texto em sua maior parte de estrutura simples ficam até discrepantes. Ou escolhem enredos que sabem que vão agradar os pais e professores.

Certa vez, fiz parte de um projeto em uma escola pública e deveria selecionar os melhores textos para participarem de um livro coletivo. A coordenadora ficou surpresa com o resultado.

Eu não conhecia os autores da obra e escolhi textos de alunos considerados “ruins” enquanto a que mais se criou expectativa, considerada uma das “melhores”, foi desclassificada.

Simples, aqueles que não tinham o peso de vencer, sentiram a liberdade para criar enquanto a garota construiu algo dentro de padrões engessados.

Correto:

Diga a criança para que se sinta livre para escrever o que quiser, sobre o que imaginar e não censure suas ideias e palavras.

É comum usarem palavras do dia-a-dia, não inseridas em norma culta e até escrevem do mesmo modo em que falam.

Esse fenômeno é natural e faz parte da apropriação da linguagem.

Cuidado ao corrigir para não ser ser severo, melhor com jeitinho mostrar a forma correta: “Desse jeito se fala, mas se escreve assim”.

5.Ideia ruim

Errado:

Dizer que a ideia dela é errada ou ruim sem ao menos ouvir seus argumentos ou debater o assunto juntos.

Correto:

Não existe ideia ruim, existe ideia mal elaborada. 

Ajude a criança a desenvolver melhor o que inicialmente pensou.

Por exemplo, se  quer usar um personagem que já existe como os da Disney, estimule-a a raciocinar até chegar em um original, inspirado na ideia inicial.

Às vezes aparecem palavras fortes no texto como “matou”, ou cenas que sugerem violência.

Nesse caso é interessante fazê-lo refletir:

  • É mesmo preciso um personagem matar o outro?
  • Ele não pode vencê-lo usando a inteligência ao invés da força?

É uma ótima oportunidade para debater assuntos urgentes como esse, que infelizmente aparecem não só nos noticiários mas também em atos dos chamados “super-heróis”.

6.Sem ideia

Errado:

Deixar a criança o tempo todo em frente à tv, computador e vídeo game e ainda assim desejar que ela tenha uma vasta criatividade.

Correto:

Proporcione atividades culturais ricas para a criança:

  • Ida à museus,
  • Teatros
  • Exposições de arte
  • Música de qualidade além de claro
  • Boas leituras

Tudo isso sempre acompanhado de explicações e uma conversa para troca de impressões e decodificações sobre o conteúdo absorvido.

Gostou ou não, por qual motivo, quais conexões consegue realizar entre o que viu e o que já conhece.

Ampliando o universo dele, terá sempre bons elementos para construir seus próprios conteúdos a partir de seu rico imaginário.

7.Querer fazer por ele

Errado:

Diante da dificuldade do filho de escrever, os pais optam por mais que ajudar, fazer por ele para que não se frustre com a nota na escola.

Correto:

Por mais difícil que seja para ele, o que conseguir produzir deve ser o entregue para a professora.

Caso receba uma negativa no colégio, vendo que ele se esforçou, não se deve receber a notícia com braveza ou tristeza, e sim confiança. 

  • “Não desanima, vamos continuar exercitando até você conseguir.”
  • “Você está no início do caminho, mais alguns passos e chegará lá!”

Espero que essas dicas ajudem os seus pequenos a escreverem plenamente!

JULIANA MARINGONI

"Literatura sempre foi o meu mundo encantado, que eu queria tornar real."

Graduada em jornalismo na PUC Campinas, especialista em Jornalismo Literário e em Educação de Universidade Federal Fluminense, psicopedagoga e pedagoga com aprimoramento em Escrita Criativa pela Unicamp.

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